• Fernanda Kelly

Somos retalhos

Faz três anos (e uns quebrados) que coordeno eventos, redes sociais e demais atividades da R-Ladies GYN. Essa organização sem fins lucrativos foi fundada pela querida Gabriela Queiroz em 2012 e desde então ela não para de crescer. Atualmente, a R-Ladies Global está em 61 países e em mais de 200 estados/cidades levando o conhecimento quanto a linguagem R a gêneros de minoria gratuitamente.


No Brasil são 12 capítulos e é uma honra estar a frente de um deles. São três anos de muito aprendizado e claro, foram anos me fizeram aprofundar, conhecer e entender ainda mais o propósito dessa organização e o impacto que ela tem. Foram anos sendo o "faz tudo" (e ainda faço). A intermediadora dos cursos, monitora, ajudava os participantes nos bugs de inscrição, trabalhava o marketing do instagram, linkedin, site, Github e mais uma porção de tarefas que uma organização desse porte necessita e, todo esse trabalho me permitiu enxergar o quanto a diversidade e o diálogo dela é importante em qualquer lugar ou situação na qual somos submetides no trabalho, shopping, com amiges e demais lugares de convivência. Todo dia é dia dessa pauta.




E isso me faz lembrar da minha avó. De quando ela pedia para os netos separarem os retalhos que ela havia cortado, em formatos naturais e não iguais, em montes individuais de acordo com sua respectiva tonalidade aparente. As vezes um branco não era tão branco e um azul escuro estava mais para preto as vezes. Mas a questão é que todos eles, mesmo com pequenas diferenças, estavam se aninhando em "montinhos" para que lá no final se tornassem um só. Uma grande colcha. Uma colcha pesada, bem estruturada, mas não uniforme.


Os retalhos de diversas cores e tamanhos retratam a diversidade e demonstra naquele desenho que um retalho preto não podia estar no lugar do branco, pois ali havia padrões. É aí que a diversidade se perde e a importância da diversidade é esquecida.


Agora comparando o papel dos retalhos na construção da colcha a pessoas e a construção da sociedade, qual é a grande diferença?

Os retalhos da colcha são parte de um todo. Estão ali vulneráveis, com suas diferenças destacadas, mas ainda assim cada um assumiu o seu papel. Mas em nosso cotidiano não é bem assim. A vulnerabilidade dói. Ser diferente em um mundo que grita e impõe padrões é dolorido.


A pesquisadora Brené Brown aponta em uma de suas Ted Talk que a vulnerabilidade era um ponto em comum entre aquelas pessoas que se sentiam merecedoras de algo e, ainda complementa esta questão dizendo que aquelas pessoas vulneráveis não diziam que era doloroso ou confortável estar nessa posição, mas sim que era necessário e que isto as tornavam lindas.


A organização R-Ladies é uma colcha de retalhos. Cada capítulo com sua tonalidade, com seu recorte diferente e natural, cada qual da sua maneira e com sua diversidade. A R-Ladies é vulnerável. E nós como retalhos fazer parte dessa colcha é pertencimento. Ser retalho na R-Ladies é como costurar uma colcha a cada evento, a cada palestrante convidade, a cada agradecimento e, claro, a cada retalho que conseguimos alcançar. Faça parte você também. Seja como palestrante, co-organizadora e participante. Na colcha da R-Ladies sempre tem espaço pra mais um. Vem brilhar na R-Ladies Goiânia!


Fernanda Kelly R. Silva | Estatística





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